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Violência contra as mulheres: quando isso irá acabar?

Para falar de violência contra as mulheres, quero te mostrar alguns dados recentes e com isso trazer algumas reflexões. Você sabia que de acordo com o cronômetro da violência da Agência Patrícia Galvão, três mulheres são vítimas de feminicídio a cada dia?

Ou que uma travesti ou mulher trans é assassinada aqui no Brasil a cada 2 dias? E que 30 mulheres sofrem agressão física por hora? Isso sem levar em consideração a interseccionalidade.

Nos crimes de feminicídio, mulheres negras têm duas vezes mais chances de serem assassinadas do que as brancas. Diante desses dados que geram angústia e revolta, a pergunta que me faço é: quando essa realidade vai mudar? Não podemos nos acostumar com essa situação. Essas pesquisas não podem se tornar irrelevantes ou “só mais uma”.

É por isso que hoje vou falar sobre esse tema tão delicado que vem ganhando destaque nos meios de comunicação e também através da participação cada vez mais ativa dos usuários das redes sociais: violência contra as mulheres.

O que esse termo significa?

O termo vem sendo referido de diversas formas ao longo das últimas décadas, seja como violência intrafamiliar, violência doméstica, violência contra a mulher e, por fim, como violência de gênero.

Independente do seu nome, a violência contra as mulheres possui características bastante específicas:

“É a conduta do indivíduo que se baseia no gênero para causar dano físico, sexual, psicológico, moral ou patrimonial à mulher.”

Temos que debater sobre o tema todos os dias, inclusive destacar a importância de medidas combativas à violência, conscientizar família, amigos e colegas de trabalho e enfrentar o machismo diário.

Parece cansativo? E é mesmo. Ter que lidar com aquelas pequenas brincadeiras que parecem inofensivas é algo que cansa. Mas é preciso, pois podem se tornar atitudes mais explícitas e cada dia mais agressivas.

Tipos de violência contra as mulheres

Mesmo que a conscientização seja um recurso primordial, as leis estão aí na tentativa de proteção e reparação à mulher. A Lei nº 11.340/06, conhecida como Lei Maria da Penha, foi criada justamente para prevenir e coibir todos esses tipos de violência.

Abaixo quero que entenda a fundo os cinco tipos de violência doméstica e familiar contemplados na Lei:

  • Física: conduta que ofende integridade ou saúde corporal da mulher. Aqui, cabem espancamentos, estrangulamento, lesões com objetos, ferimentos com armas e tortura;
  • Psicológica: conduta que causa dano emocional, diminui a autoestima ou prejudica o desenvolvimento da mulher. Ameaças, constrangimento, humilhação, manipulação, vigilância constante, chantagem, limitação do direito de ir e vir, e gaslighting (abuso psicológico) são exemplos;
  • Sexual: conduta envolvendo ato sexual por meio de ameaça, intimidação, coação ou uso de força. Trata-se de estupro, forçar a mulher a abortar, forçar matrimônio e obrigar a mulher a fazer atos sexuais;
  • Patrimonial: conduta que destrói total ou parcialmente itens, bens, instrumentos de trabalho, direitos ou recursos econômico da mulher, como controle de dinheiro, deixar de pagar pensão alimentícia, destruir documentos pessoais, estelionato, causar danos propositais a objetos que a mulher goste;
  • Moral: calúnia, injúria e difamação. Acusar a mulher de traição, emitir juízos morais sobre a conduta, fazer críticas mentirosas, expor a vida íntima, rebaixar a mulher por meio de xingamentos, e desvalorizar a vítima pelo seu modo de vestir são exemplos de violência moral.

Ao nomear e definir as violências e abusos que as mulheres sofrem, estamos dando um passo importante contra o menosprezo com a condição feminina, pois assim, existe a compreensão do que deve ser combatido.

Por que a violência contra as mulheres ainda hoje é corriqueira na sociedade?

A sociedade em que vivemos ainda segue um modelo patriarcal na qual as relações foram estabelecidas de maneira desigual, direcionando todo o poder à figura masculina.

A mulher, portanto, foi colocada em um papel de submissão e teve designada para si as funções maternas e de cuidados com o lar, não tendo participação ativa em nenhuma decisão considerada de relevância social.

Com isso, a imagem da mulher, durante muito tempo, foi distorcida e associada à fragilidade e à servidão do lar e do marido, que por sua vez, muitas vezes acreditava estar em uma posição de poder, se mostrando mais forte e “proprietário”. Assim, a desigualdade de gênero tem um papel fundamental na cultura dessas violências.

É fato que as mulheres têm se inserido no mercado de trabalho e ocupando mais espaços, além daqueles a que supostamente foram designadas. Esse movimento se deve muito ao feminismo e a tomada de consciência da classe feminina, que passa a recusar padrões impostos e a comandarem suas vidas.

Conscientizar e empoderar

Entre as ferramentas que podemos utilizar para mudar essa triste realidade, está a possibilidade de conscientizar as pessoas. Mudar a mentalidade de homens e mulheres sobre esse tema é quebrar os estereótipos que foram construídos sobre nós mulheres e retomar um sentimento de poder sobre nossas próprias vidas e escolhas.

Atualmente, observamos alguns avanços com as mulheres ocupando cada vez mais espaços, questionando as desigualdades e desempenhando muitas funções para além da maternidade, mas essa luta, que é de todos nós, está longe de acabar.

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