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O imposto rosa: como as mulheres acabam pagando mais

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O imposto rosa: como as mulheres acabam pagando mais

Conheça o pink tax ou imposto rosa, o imposto vilão das mulheres e de seus bolsos. Veja como ele funciona e como afeta as finanças das mulheres. Ainda que seja batizado como taxa, não se trata de um imposto, mas sim de um conceito político-econômico, você sabia?

Como o imposto rosa acontece

As mulheres são cruciais para o desenvolvimento da nossa sociedade e para economia do país, mas continuam sendo mal pagas em seus ambientes de trabalho, além de serem responsáveis ​​por fazer a maior parte do trabalho não remunerado em casa, como cuidar de seus filhos ou pais idosos.

Em 2019, segundo a PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), as mulheres são maioria no Brasil, totalizando 51,8% da população total. 

A população feminina é a que mais gasta com diversos produtos voltados para o seu consumo, mesmo comprando produtos iguais ou parecidos aos dos homens. A desigualdade financeira das mulheres faz com que elas acabem pagando mais, aumentando a desigualdade. 

De fato, uma análise da Oxfam descobriu que o valor monetário do trabalho não remunerado das mulheres em todo o mundo valia impressionantes US$10,9 trilhões de dólares. As contribuições das mulheres para a sociedade claramente valem muito, e é importante que as mulheres saibam seu valor e como lidar com suas circunstâncias financeiras.

Embora as mulheres, em muitos países, têm expectativa de vida superior a de homens, muitas vezes enfrentam barreiras financeiras, como investir menos para a aposentadoria e cobrar mais por determinados produtos, que é conhecido como “o imposto rosa”.

Afinal, o que é o imposto rosa?

Com certeza você já tem percebido uma diferenciação de cores e estilos nos produtos destinados aos diferentes públicos. Nota-se nas prateleiras dos supermercados, lojas e comércios em geral. Mas as cores não são a única distinção entre esses produtos, e a diferença que muitas vezes passa despercebido pelos olhos do consumidor é o preço: os produtos femininos, em geral, são mais caros.

O imposto rosa, então, nada mais é do que uma taxa cobrada nos preços de produtos femininos. Esses produtos normalmente são menores e têm um preço premium. Muitas vezes, a diferença é apenas a embalagem, feita para públicos de gêneros específicos. O rosa, eventualmente, custa mais caro.

Uma pesquisa da ESPM (Escola Superior de Propaganda e Marketing) mostra que produtos rosas ou com personagens femininos são em média 12,3% mais caros que os demais. 

O imposto rosa tem o nome da cor que os fabricantes usam para produtos voltados para mulheres – como lâminas de barbear, sabonetes e shampoos que, em teoria, não precisam ter gênero. 

A diversificação das cores dos produtos não altera o seu valor, por serem direcionadas ao público feminino, o preço dos itens continua alto. Se pensarmos que muitos dos produtos são iguais ou parecidos para homens, o valor da taxa pode subir para mais de 100%. 

As lâminas são apenas um dos itens que podem possuir o imposto rosa, outros itens que o possuem, são: higiene pessoal, saúde, roupas e acessórios.

Essa prática começa cedo, com brinquedos e roupas para meninas sendo considerados mais caros e, em muitos casos, até na idade adulta, quando itens e serviços de cuidados pessoais custam mais caro para as mulheres.

Imposto rosa e a desigualdade salarial

As mulheres, além de pagarem mais caro por itens direcionados para o seu público, ainda precisam lidar com o fato de serem menos remuneradas que os homens. Essa é uma realidade muito presente ainda nos dias de hoje, que se agravou ainda mais com a pandemia, pois muitas mulheres ocupam vagas operacionais e precisam trabalhar presencialmente. 

Segundo o Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), a classe feminina lida com diferenças grandes em seus salários, mesmo quando possuem ensino superior. A média salarial para mulheres é de R$2.680, enquanto para os homens é de R$3.946. A situação pode piorar quando falamos de mulheres negras e a falta de oportunidades de emprego.

Com base na diferença salarial racial mencionada acima, isso significa que as mulheres negras ganham menos em comparação às mulheres brancas e provavelmente têm que pagar ainda mais por serviços como cortes de cabelo.

Como combater o imposto rosa

No dia a dia, a forma como o imposto rosa atinge as mulheres pode parecer insignificante ou quase imperceptível. Mas pagar mais ao longo da vida pode ter implicações abrangentes para as finanças das mulheres.

Um estudo de 1994 conduzido pelo Escritório de Pesquisa da Assembleia da Califórnia, estimou que, em comparação com os homens, as mulheres pagavam mais de US$1.300 a mais por ano por causa do imposto rosa. 

Se essa mesma quantia de dinheiro fosse investida com um retorno de 5%, isso somaria cerca de US$16.000 em 10 anos. Se uma mulher colocasse essa quantia anualmente em um fundo desse tipo, sairia como US $160.000 em 40 anos.

Essa quantidade de dinheiro é significativa, especialmente, porque também há uma lacuna de investimento com as mulheres gastando menos do que os homens para a aposentadoria.

Quando adicionamos a capitalização na equação, e como isso pode parecer em termos de poupança ou contribuições para a aposentadoria, faz uma enorme diferença na vida de uma mulher versus a vida de um homem.

Para combater os efeitos do imposto rosa, é importante ser uma consumidora estratégica e estar atenta a essa diferença de preço. Considere comprar produtos de higiene pessoal neutros em termos de gênero, como sabonete, lâminas de barbear e shampoo, que não precisam ter duas versões – uma para homens e outra para mulheres. 

Além disso, se você notar essa lacuna de preços à solta, use sua voz. Sejam corajosas como consumidoras a entrar em contato com nossas marcas favoritas.

A linha de fundo

O imposto rosa é uma maneira sutil de fazer com que as mulheres acabem pagando mais ao longo da vida por determinados itens.

Esta é uma mais dessas práticas históricas em que há muitas oportunidades de mudança, mas não está na vanguarda, porque poucas pessoas realmente sabem o quão difundido e impactante o imposto rosa pode ser.

Adicione isso ao já alto custo de maquiagem, produtos de cabelo e roupas – que geralmente são áreas em que as mulheres gastam para parecer “apresentáveis” imposto pela sociedade – e fica claro que as mulheres estão pagando muito, de várias maneiras.

Artigo escrito por Paloma Reis, Community Manager na Mulheres no Comando.

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