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Burnout: as mulheres são multitarefas ou sobrecarregadas?

Dar conta de cuidar dos filhos, levá-los na escola, exercer tarefas domésticas como limpar a casa, e ainda por cima trabalhar todos os dias. Essa é a realidade de muitas mulheres brasileiras, que se dividem entre tarefas. Afinal: elas são multitarefas ou estão sobrecarregadas, sofrendo com a síndrome de Burnout?

Síndrome de Burnout afeta mais mulheres do que homens

A síndrome de Burnout, também conhecida como síndrome do esgotamento, é um distúrbio psíquico caracterizado pela exaustão, estresse e esgotamento físico, provocados por condições de trabalho desgastantes ou mesmo por desemprego.

Segundo pesquisa da plataforma LinkedIn, em questionário feito com quase 5 mil americanos, 74% das mulheres responderam que estavam muito ou razoavelmente estressadas por motivos ligados ao trabalho, número 13% maior quando comparado a mesma resposta dos homens.

A pesquisa explicita uma realidade que assola a vida de inúmeras mulheres, que é a sobrecarga no trabalho causado por rotinas excessivas, alta cobrança e busca por perfeição na execução de tarefas.

De acordo com outra pesquisa feita em 2019, as mulheres dedicaram aos cuidados de pessoas ou afazeres domésticos quase o dobro de tempo que os homens: mais de 21 horas semanais contra 11 (deles). E essa proporção não tem se alterado significativamente nos últimos anos.

Ou seja, além de se sentirem mais pressionadas no ambiente de trabalho, as mulheres ainda são designadas a cumprirem afazeres domésticos. Inclusive, esse pode ser um dos principais fatores que levam à sobrecarga no trabalho, devido ao esgotamento físico e mental que a dupla jornada causa.

Mulher é submetida a dupla jornada de trabalho

Os dados citados acima comprovam o muitas de nós já desconfiávamos. As mulheres realmente estão sobrecarregadas e não, não é porque são multitarefas, e sim porque o papel de ter que dar conta de trabalhar em uma jornada dupla lhes foi atribuído socialmente.

É um enorme avanço para a luta feminista que as mulheres começaram a se inserir ativamente no mercado de trabalho e até ocupar posições de liderança. Porém, ao mesmo tempo, muitas ainda precisam dar conta de tarefas domésticas como cuidar da casa e dos filhos, causando esgotamento contínuo nas mulheres.

Como reconhecer os sinais do Burnout em mulheres

Os sintomas causados pelo Burnout criam um estado de tensão permanente em mulheres, que resulta em quadros depressivos e de ansiedade. A principal diferença entre o estresse e a síndrome está na despersonalização, identificado quando existem atitudes hostis, falta de vontade de executar tarefas e até mesmo conversar com colegas de trabalho.

Confira a seguir sinais que contribuem para a formação da síndrome de Burnout e que devem servir de alerta para as mulheres:

  • Prazos apertados: a pressão feita por terceiros e pela própria mulher devido a curtos prazos de entrega agrava o esgotamento sofrido no trabalho;
  • Excesso de tarefas e funções: hoje, sabe-se que muitas empresas adotam uma forma dinâmica de trabalhar, interligando áreas e funções. Por isso mesmo, é preciso atenção para acabar não exercendo outras demandas;
  • Ambiente de trabalho opressivo: o machismo é uma realidade que se estende para o ambiente profissional e, por isso, as mulheres podem sofrer com ele durante o horário de trabalho também e acabar sofrendo desde pequenas violências, até grandes opressões;
  • Baixa remuneração: mulheres são submetidas a longas jornadas de trabalho e funções estressantes ganhando menos. Quando comparado aos homens, é como se as mulheres trabalhassem 74 dias do ano sem receber.

A síndrome de Burnout é tão séria que não adianta tirar férias ou passar um tempo longe do trabalho, pois a exaustão mental é tanta, que necessita de medidas que “cortem o mal pela raíz”, como por exemplo assegurar às mulheres um ambiente saudável de trabalho.

Quanto aos sintomas físicos, destacam-se:

  • Insônia;
  • Dor de cabeça;
  • Cansaço excessivo;
  • Sensação de incapacidade;
  • Dificuldade para se concentrar.

Ser multitarefa é uma ilusão

Para mascarar a sobrecarga atribuída às mulheres, está o termo multitarefa, que designa uma suposta capacidade de realizar múltiplas tarefas ao mesmo tempo. Porém, já foi provado que a cada troca de atividade, o cérebro precisa de um tempo para se readaptar à nova atividade. Ou seja, ser multitarefa não é algo considerado eficaz e muito menos saudável!

A mulher que precisa trabalhar todos os dias em ambiente profissional e também em sua própria casa, cumprindo demandas de atividades domésticas, tem muito mais chances de sofrer com a síndrome de Burnout. E, infelizmente, isso é mais comum do que nós imaginamos.

Mulher, conheça seus direitos

Além de exigir de gestoras e gestores que fiquem atentos a equipe para não haver sobrecarga, existem direitos trabalhistas que asseguram um certo nível de proteção à vítima. Ainda não existe uma jurisprudência específica sobre o tema de Burnout, muito menos específico para o caso de mulheres, porém, alguns saiba quais medidas são possíveis a seguir:

  • Afastamento: por meio de atestado médico mediante avaliação, é possível se afastar do trabalho por 15 dias, sem perder o recebimento;
  • Auxílio-doença: tendo qualidade de segurado do INSS, e se comprovada a síndrome de Burnout pela perícia médica, a pessoa recebe uma quantia referente a auxílio-doença;
  • Estabilidade no trabalho: é assegurado uma estabilidade no trabalho por um período de 12 meses, ou seja, o trabalhador não pode ser demitido;
  • Indenização moral: se houver gastos com médicos, psicólogos e outros profissionais, cabe à empresa arcar com tais custos.

Você conhece alguma colega que suspeita estar passando por uma situação de esgotamento físico e mental? Converse com ela! Ajudando umas às outras, podemos tentar reverter a atual realidade e garantir melhores condições de vida para as mulheres.

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