7 anos para atingir metas estratégicas de ESG

Como queremos que o mundo seja em 15 anos? Essa foi a pergunta que guiou a criação dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), em 2015, pela Organização das Nações Unidas (ONU), e transformou 2030 em um ano chave para a avaliação do desenvolvimento mundial. 

Com a entrada em vigor no dia 1º de janeiro de 2016, os 193 estados membros da ONU se comprometeram a trabalhar diversas questões importantes para erradicar a pobreza e promover uma vida digna para todas as pessoas, focando em 5 Ps: Pessoas, Planeta, Prosperidade, Paz e Parcerias.

Dentro dessas cinco grandes áreas estão alocados os 17 objetivos criados e aprovados na Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova Iorque. De todos eles, é o objetivo número 5, que trata das questões de gênero, que mais nos interessa e é nele que vamos nos debruçar hoje. 

 

ODS 5: igualdade de gênero

O ano é 2030 e a equidade de gênero não é mais um sonho e sim uma realidade, mulheres e meninas estão empoderadas e livres de violências de gênero, é isso que a ODS número 5 tem como meta. Para que isso aconteça, o ONU estipulou 9 alvos: 

  1. Acabar com a discriminação contra mulheres e meninas;
  2. Acabar com toda a violência contra e a exploração de mulheres e meninas;
  3. Eliminar casamentos forçados e mutilação genital;
  4. Valorizar cuidados não pagos e promover responsabilidades domésticas compartilhadas;
  5. Garantir participação total na liderança e tomada de decisões;
  6. Acesso universal à saúde reprodutiva e direitos;
  7. Direitos iguais a recursos econômicos, propriedade e serviços financeiros;
  8. Promover o empoderamento das mulheres através da tecnologia;
  9. Adotar e fortalecer políticas e legislação aplicável para a igualdade de gênero.

 

Acabar com a violência, a exploração sexual e toda e qualquer discrimição contra as mulheres e meninas não é apenas uma forma de alcançar o desenvolvimento humano sustentável, mas, antes de tudo, é garantir direitos humanos básicos. 

Mas como cada uma de nós pode fazer parte disso? Aqui no Mulheres no Comando, nós apostamos no empoderamento feminino. Afinal, já foi comprovado que a educação e capacitação de mulheres e meninas tem um efeito multiplicador.

Entre altos e baixos, a evolução em relação à equidade de gênero está acontecendo no Brasil, mas ainda é necessário avançar bastante para que possamos afirmar que o Brasil é o país da equidade, mesmo considerando toda a diversidade brasileira, reconhecida internacionalmente. 

Equidade de gênero e mundo do trabalho

Não é de hoje que buscamos refletir sobre a relação entre equidade de gênero e mercado de trabalho. Afinal, o acesso à educação e ao emprego digno são fatores imprescindíveis para a ascensão e empoderamento feminino.

Defender a equidade de gênero é reconhecer as características próprias das mulheres, para que então sejam organizadas as ações que contemplem as singularidades do grupo. Para começar, é necessário considerar uma série de fatores, desde a trajetória histórica até os papéis exercidos na atualidade. 

A luta pela equidade de gênero é antiga, mas ganhou uma promoção mundial somente a partir de 1945, com a criação da ONU (Organização das Nações Unidas) e posteriormente, em 1948, com a Declaração Universal dos Direitos Humanos. 

É a partir desse momento que são criados instrumentos de proteção dos direitos das mulheres, ferramentas que visam a erradicação da violência de gênero e a promoção de igualdade material, considerando diminuir a distância econômica e política entre homens e mulheres.

Por exemplo, segundo relatório do Fórum Econômico Mundial, o Global Gender Gap Report, o Brasil se encontra na 126º em relação a igualdade salarial entre homens e mulheres. Isso demonstra a necessidade de ações que contribuam para esse problema em específico, mas não é apenas a igualdade salarial que precisamos promover. 

Segundo o IBGE, apenas 37,4% dos cargos de liderança no Brasil são ocupados por mulheres, e esse número é pior quando falamos de alta liderança, como a presidência de empresas e conselhos. Uma pesquisa realizada pela Bain & Company em parceria com o Linkedin mostrou que 3% das cadeiras de presidência são ocupadas por mulheres, nas 250 grandes empresas brasileiras pesquisadas.

Apesar disso, os dados também servem para nos mostrar um avanço. Segundo a Randstad, a contratação de mulheres líderes e especialistas cresceu em 168% no ano de 2021, se comparado ao ano de 2020. 

Atualmente, as mulheres também estão ocupando cargos públicos mais do que nunca! Algo que não apenas incentiva outras mulheres a seguirem essa carreira, como também ajuda a fortalecer políticas e legislações que contribuam para o alcance da equidade de gênero. 

ODSs, ESG e responsabilidade empresarial 

Mas como trabalhar as ODSs dentro do ambiente corporativo? Esses objetivos tendem a servir como um guia para que as empresas cumpram suas metas relacionados às práticas ambientais, sociais e de governança de uma organização, conhecidas como ESG (sigla em inglês), importantíssimas para a sustentabilidade dos negócios no século XXI. 

Conforme dados divulgados pela Bloomberg, empresas com boas práticas de ESG correm menos riscos de enfrentarem problemas jurídicos, trabalhistas e sofrerem ações por impactos ao meio ambiente. Além disso, com práticas ESG os negócios tendem a ficar mais atraentes para investidores externos, devendo atrair US$53 trilhões em investimentos em 2025.

Para muitos especialistas, empresas que respeitam os parâmetros ESG são mais bem avaliadas porque passam a ser consideradas como passíveis de investimentos sustentáveis, que são aqueles que olham para o crescimento futuro do negócio. 

Empresas com responsabilidade ambiental, social e econômica ganham força e competitividade, além de serem mais respeitadas pelos pares, colaboradores e clientes. Dentro do fator Social da ESG, encontram-se os seguintes focos:

  • Relacionamento com as pessoas e a sociedade;
  • Respeito aos direitos trabalhistas;
  • Valorização da saúde e segurança no trabalho;
  • Apoio à diversidade e inclusão no ambiente empresarial;
  • Preocupação real com a experiência do consumidor;
  • Posicionamento da empresa em causas sociais e beneficentes.

Recentemente, as pautas sociais estão sendo alavancadas dentro do universo corporativo, mas elas não se sustentam sozinhas. São os líderes empresariais de hoje que têm o papel de construir a mudança que veremos no futuro do trabalho. 

De acordo com a pesquisa “S de ESG – Governança Social para Startups“, criado pela KPMG em parceria com a venture WE Impact, 72% das empresas com mulheres no conselho têm notas de ESG elevadas, dando uma pista do papel das mulheres nesse cenário.Por isso consideramos o desenvolvimento feminino intencional essencial para a ascensão de carreira e ocupação dos espaços de liderança por mulheres.

Ações para alcançar a equidade de gênero na sua organização 

Para alcançar a equidade de gênero na sua organização é necessário ter estratégia, foco e engajamento, em todos os níveis hierárquicos. Não existe forma correta de começar, mas alguns pontos podem garantir uma revolução no quadro de colaboradoras e no engajamento delas. 

Recrutamento direcionado: empresas que investem em diversidade & inclusão já estão se acostumando com a criação das chamadas “vagas afirmativas”. Para construir equipes mais diversas, essa é uma ótima saída. Mas essa não deve ser a sua primeira ação, vale a pena preparar o terreno e garantir que as recém chegadas se sentirão confortáveis e seguras.  

Cultura organizacional inclusiva: além de ser um forte ponto de consideração para candidatas, a cultura inclusiva garante a satisfação e permanência de colaboradores no negócio. Uma cultura inclusiva é aquela que trata todas as pessoas com equidade, considerando os diferentes potenciais. 

Equiparação salarial: apesar de ilegal, ainda existem muitas empresas que praticam uma diferença salarial para homens e mulheres, mesmo em cargos similares ou iguais. Praticar a igualdade salarial para homens e mulheres é uma forma importante de contribuir com a luta das mulheres. 

Espaços seguros: a criação de comitês temáticos ou grupos de afinidade funcionam como uma ferramenta de acolhimento e ainda ajudam a reconhecer possíveis lideranças e especialistas. Também é importante que toda a empresa conte com um canal oficial para denúncias de assédio e outros tipos de julgamentos.

Desenvolvimento feminino: cada vez mais, as empresas estão investindo em programas de desenvolvimento exclusivos para mulheres. Os programas para mulheres servem como mola propulsora para as carreiras femininas, garantindo mais representatividade e ascensão para as mulheres. 

Com o auxílio de mentoras, a rampagem de mulheres para cargos de liderança tende a ser muito mais rápida. Recentemente falei um pouco sobre a questão do incentivo às mulheres em cargos de liderança no texto: Aumentar a liderança feminina deve ser a meta em 2023

Conforme pontuou Melinda Gates, no livro “O momento de voar”, a questão de gênero no trabalho é um assunto vasto. “Tanta coisa já foi dita e escrita a respeito que é impossível saber tudo e, no entanto, a maior parte de nós conhaque as questões pessoalmente porque as vivemos”. 

Para tratar questões de gênero no seu negócio, comece ouvindo as mulheres que estão presentes nele. Se precisar de uma ajuda, conte comigo e com o Mulheres no Comando! 😉

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